A Vida Secreta das Minhas Personagens
(E como elas me tiram do sério — com amor)
Dizem que escritores criam personagens.
Mentira.
A gente dá um empurrãozinho, e eles fazem o resto — geralmente sem nos consultar.
Aqui está um relato honesto da vida secreta dos meus personagens…
e de como eles vivem me desobedecendo.
Maya
Diva sensível, arquiteta emocional, praticante oficial da pausa dramática.
Se a Maya fosse um objeto, seria uma xícara quente segurada com as duas mãos.
Se fosse uma frase, seria um suspiro.
Ela me corrige mentalmente sempre que exagero no drama.
E sempre tem um pensamento mais poético do que o meu. Irritante.
Tomás
Ah, Tomás…
O único homem dessa ficção que entende comunicação.
Calmo, presente, maduro — um milagre literário.
Ele tenta me ensinar paciência, mas só me deixa com uma vontade súbita de mandar mensagem pra alguém que não deveria.
Mariah
Sabe aquela pessoa que parece que tá bem, mas não tá?
Que fala “tudo certo” com voz de “não tá nada certo”?
Essa é a Mariah.
Se eu marco uma conversa com ela às 9h, ela aparece mentalmente às 11h30 e ainda pede desculpa com elegância. Difícil odiar.
Thomas
O homem que manda códigos porque acha romântico.
Ele é inteligente demais pra própria saúde.
E se pudesse, transformaria todas as mensagens do WhatsApp em linguagens secretas.
Vive tentando provar que lógica também tem emoção. Às vezes consegue. Às vezes atrapalha.
Marcus
Dono de frases do tipo “não preciso disso” enquanto precisa sim, e muito.
Todo orgulhoso, mas completamente mole por dentro — estilo marshmallow emocional.
Ele reclama de tudo, mas ama profundamente.
Basicamente eu antes do café.
Stella
70% charme, 30% trauma leve.
Ela não pede atenção, ela acontece.
Carrega a aura de quem já viveu o suficiente pra não engolir qualquer mentira — inclusive as minhas.
Fala pouco, mas quando fala, entrega verdades que eu não estava pronta pra ouvir.
A Menina da Casa
A mais perigosa de todas.
Ela faz perguntas que eu não sei responder.
E ainda me olha com aquela carinha de “ué, você é adulta, não sabe?”
Ela me obriga a pensar, sentir, lembrar e — pior — admitir.
Peia, a centopeia
Peia é caos, poesia e barulho.
É criança hiperativa com diploma em onomatopeias.
Se pudesse, transformava TUDO em som.
Ela é o tipo de personagem que deixa glitter emocional onde passa. (E bagunça, muita bagunça.)
Gabriela, a menina tagarela
A Tagarela é… bom, tagarela.
Ela fala pelos cotovelos, joelhos, tornozelos e, se deixar, até pelos cílios.
Se você fica em silêncio por mais de três segundos, ela assume que é licença poética pra continuar falando.
Ela comenta tudo: trama, diálogos, minhas decisões, meu cabelo, a vida amorosa das outras personagens…
E sempre termina com:
“Só tô tentando ajudar.”
(Claramente não está.)
Se eu deixasse, ela narrava todos os meus livros sozinha — em verso, rima e onomatopeia.
Tagarela é caos com glitter.
E, honestamente… eu amo.
Conclusão?
Sim… eu criei esses seres.
Mas no fundo, são eles que me criam de volta.
Eles me desafiam, me corrigem, me expõem, me deixam louca — e me salvam também.
A vida secreta deles é mais interessante que a minha.
E olha… eu aceito.